sexta-feira, 1 de agosto de 2014

"POESIA DÁ SAPATO"

"Menino poesia não dá sapato" foi assim que iniciou o convidado da noite, o senhor Francisco Gregório Filho. A frase nunca saíra de sua memória, foi dita por uma professora que tivera. De uma forma meiga aquele senhor que possuía uma linda barga longa e branca. Muito atencioso e simpático, antes mesmo de começar a conversa com os alunos do 4° período de Jornalismo da Universidade Federal do Acre, ele se aproximou de mim e minhas colegas, nos cumprimentou, e logo já estávamos conversando sobre sua infância.
Nascido no bairro da Capoeira, próximo ao Cacimbão, aqui mesmo em Rio Branco. Estudou em famosas escolas públicas, como a   Menino Jesus, 1° de Maio e no Colégio Acreano. Sua vida estudantil não foi muito prodígio, reprovou na escola várias vezes. Aquela conversa já havia chamado a atenção de todos da sala, e a cada frase que ele contava, era um toque na mesa, que ecoava no silêncio naquele momento.
Contou também sobre a paixão que tinha pela leitura, do clube de leitura que tivera quando criança, "um clube clandestino" foi como ele se referiu, ele nunca fora um bom aluno, suas notas sempre foram medianas,  Mas ainda sim ele seguiu nos caminhos do estudo. Em 67 sua família se mudou para o Rio de Janeiro, em sua andanças pela cidade maravilhosa, ele descobriu o Museu de Arte Moderna, no aterro do flamengo. 
Ele conta que todos os dias visitava a cinemática, e sempre participava de debates com artistas plásticos. O museu tinha uma oficina de poemas, e ele desenvolvia  o "poemação", poema mais ação. Sem condições na época, contou que inúmeras vezes uma pera era seu único alimento, mas isso não fez com que ele desistisse. Após o dia no teatro, ele seguia para casa, tomar  banho e estudar contabilidade. Trabalhou 3 meses com carteira de contador. Mas foi fazer teatro na UNIRIO, onde conheceu a cantora e atriz xapuriense Deize Nazaré, ou Nazaré Pereira, com quem ele se preparou para fazer a prova para entrar na escola de arte.
Estudou formação de ator e direção teatral, dirigiu várias artistas famosos e não tão famosos nesse tempo.
"Assim eu ganhei minha vida, trabalhando na área cultural".
Francisco Gregório Filho viveu muita coisa nessa vida, hoje ele etá aposentado, depois de 40 anos trabalhando na Biblioteca Nacional Brasileira. E hoje está rodando o país contando as mais belas histórias e contos regionais.
Ouça a gravação do encontro no link:

https://soundcloud.com/daiane-lopes-12/entrevista-com-francisco-gregorio-filho




Sefie com alguns alunos da sala: Foto: Roberton Tácimim

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